Acolhimento, Redes sociais e produção do cuidado na Atenção Básica em Saúde no Município do Rio de Janeiro, Brasil

Autores/as

Resumen

Estudo descritivo, com abordagem quantitativa, delineado pela análise das relações dos profissionais de saúde de uma unidade de Atenção Básica do município do Rio de Janeiro que teve por objetivos identificar a partir do acolhimento as redes sociais dos atores para producão do cuidado na Atenção Básica em Saúde e caracterizar as relações/interações existentes segundo grau de centralidade, proximidade e intermediação. Os dados foram analisados mediante Análise de Redes Sociais (ARS), com a utilização dos softwares Ucinet e Netdraw, que permitiram a construção do sociograma e a geração das métricas da rede. A ARS permitiu compreender a posição dos atores e como as relações entre os mesmos se conformam através do acolhimento. A medida de densidade foi baixa, indicando que nem todos os atores estão em contato direto uns com os outros, trocando informação ou qualquer tipo de recurso, contribuindo para pouca coesão da rede.  Quanto às medidas de centralidade, proximidade e intermediação o estudo traz relevo sobre os atores de nível superior, com exceção dos técnicos de enfermagem. Concluí-se a partir da rede social que o acolhimento dos usuários no campo segue uma dialética já estabelecida, baseada na queixa evidenciada, julgada e na oferta imediata de respostas, quando o esperado para o campo é um cuidado com foco na promoção e prevenção em saúde.

 

Palabras clave

Acolhimento, Atenção Básica em Saúde, continuidade da assistência ao paciente, necessidades de atenção à saúde, redes sociais

Citas

Alejandro, V. A. O., Norman, A. G. (2006). Manual introdutório à análise de redes sociais: medidas de centralidade. México: Universidad Autonoma Del Estado de México.

Assis, M. M. A., Nascimento, M. A. A., Franco, T. B., Jorge, M. S. B. (2010). Produção do cuidado no Programa Saúde da Família:olhares analisadores em diferentes cenários.Salvador: EDUFBA.

Azevedo M. A. J., David H. M. S. L., Marteleto R. M. (2018). Redes sociais de usuários portadores de tuberculose: a influência das relações no enfrentamento da doença. Saúde em Debate, 42 (117), 442-454. doi10.1590/0103-1104201811708.

Bastian, M., Heymann, S., Jacomy, M. (2009). Gephi: an open source software for exploring and manipulating networks. Third International ICWSM Conference, San Jose,

California: Association for the Advancement of Artificial Intelligence. Recuperado a partir de gephi.org. Recuperado de https://gephi.org/publications/gephi-bastian-feb09.pdf.

Bez, G. S., Faraco, R. A., Angeloni, M. T. (2010). Aplicação da técnica de Análise de Redes Sociais em uma Instituição de Ensino Superior. In: XXVI Simpósio de Gestão da Inovação tecnológica, Vitória: Anpad. Recuperado de http://www.anpad.org.br/admin/pdf/simposio68.pdf.

Borgatti, S. P.(2009). 2-Mode concepts in social network analysis. In: MEYERS, R. A. (Ed.). Encyclopedia of complexity and system science. Heidelberg: Springer.

Borgatti, S. P., Everett, M. G., Freeman, L. C. (2002). Ucinet for Windows: software for social network analysis.Harvard, MA: Analytic Technologies.

Brasil. Ministério da Saúde. (2007). Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular. Brasília: Ministério da Saúde. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/clinica_ampliada_2ed.pdf.

Brasil. Ministério da Saúde. (2012). Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília: Ministério da Saúde. Recuperado em http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf.

Brasil. Ministério da Saúde. (2017). Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília: Ministério da Saúde. Recuperado de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html.

Bourdieu, P. (1983). O campo científico. In: ORTIZ, R. (Organizador). A sociologia de Pierre Bourdieu. São Paulo: Ática.

Bourdieu, P. (2001). Meditações pascalianas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Camargo J. R. K. R., Campos, E. M. S., Bustamante-Teixeira, M. T., Mascarenhas, M. T. M., Mauad, N. M., Franco, T. B., Ribeiro, L. C., Alves, M. J. M. (2008). Avaliação da atenção básica pela ótica político-institucional e da organização da atenção com ênfase na integralidade. Cad Saúde Pública, Rio de Janeiro, 24 (1), 58-68. doi10.1590/S0102-311X2008001300011

Dal vesco, D. G., Machado, D. G., Scarpin, J. E. (2010). Cooperação entre os capitais sociais em empresas Concessionárias de Serviços Públicos no Brasil: evidências estruturais em Concessões de Rodovias. Anais. Rio de Janeiro: ANPAD. Recuperado de http://www.anpad.org.br/admin/pdf/eor2476.pdf.

Del-Vecchio, R. R., Galvão, D. J. C., Lima, L. S., Loures, R. F. V. (2009). Medidas de Centralidade da Teoria dos Grafos Aplicada a Fundos de Ações no Brasil. XLI SBPO 2009: Simpósio Brasileiro de Pesquisa Operacional, 1-4, Porto Seguro, Bahia. Recuperado de http://www.din.uem.br/sbpo/sbpo2009/artigos/55668.pdf.

Farina, M. C., Silva, R. S. S., Silva Filho, J. R. T., Silveira, M. A. P., Ozaki, M. T., Benevides, G. (2013). Uma investigação da centralidade e da densidade de uma rede de empresas que atuam na realização de festas e de casamentos. Revista Alcance - Eletrônica, 20, (2), 170-185.

Fonseca, J. S. A. (2017). Redes sociais na regulação da assistência à saúde em um município de pequeno porte do Rio de Janeiro. (Dissertação de mestrado em Enfermagem). Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Fonseca J. S. A., David H. M. S. L., Silva T. F., Ramos T. C. S., Neves A. C. L., Miranda R. B. (2018). Redes sociais, acesso e regulação dos serviços de saúde em um município de pequeno porte do Rio de Janeiro, Brasil. Ciência e Saúde Coletiva, 23(10), 3211-3222. doi10.1590/1413-812320182310.15492018

Franco, T. B., Merhy, E. E. (2007). Mapas analíticos: um olhar sobre a organização e seus processos de trabalho. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Lazega, E.; Higgins, S. S. (2014). Redes sociais e estruturas relacionais. 1ª ed. Belo Horizonte: Fino Traço.

Lemieux, V., Ouimet, M. (2014). Análise estrutural das redes sociais. 2ª ed. Instituto Piaget.

Lopes, M. E. L., Sobrinho, M. D., Costa, S. F. G. (2013). Contribuições da sociologia de Bourdieu para o estudo do subcampo da Enfermagem. Texto contexto Enferm., Florianópolis, 22 (3), 819-825. doi 10.1590/S0104-07072013000300031

Marteleto, R. M., Tomaél, M. I. (2005). A metodologia de análise de redes sociais (ARS). In: VALENTIM, M. L. P. (Org.) Métodos qualitativos de pesquisa em Ciência da Informação. São Paulo: Polis. Recuperado de http://abecin.org.br/e-books/colecao-palavra-chave/VALENTIM_%28Org%29_Metodos_qualitativos_de_pesquisa_em_Ciencia_da_Informacao.pdf.

Martins, P. H., Fontes, B. (2004). Redes sociais e saúde: novas possibilidades teóricas. Recife: Editora Universitária da UFPE.

Maximino, V. S., Liberman, F., Frutuoso, M. F., Mendes, R. (2017). Profissionais como produtores de redes: tramas e conexões no cuidado em saúde. Saude soc., São Paulo, 26 (2), 435-447. doi10.1590/s0104-12902017170017

Mercklé, P. (2004). Sociologie des réseaux sociaux.Paris: La Découverte.

Merhy, E. E. (2007). Saúde: A cartografia do trabalho vivo. 3ª ed. São Paulo: Hucitec.

Morosini, M. V. G. C., Fonseca, A. F. (2017).Revisão da Política Nacional de Atenção Básica numa hora dessas? Cad. Saúde Pública, 33 (1), 1-4. doi10.1590/0102-311X00206316

Neves, A. C. L. (2019). Estratégia Saúde da Família e pessoas com hipertensão e diabetes: redes sociais e longitudinalidade. (Dissertação de mestrado em Enfermagem). Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Pedebos L. A., Rocha D. K., Tomasi Y. (2018). A vigilância do território na atenção primária: contribuição do agente comunitário na continuidade do cuidado. Saúde em Debate, 42 (119), 940-951. doi 10.1590/0103-1104201811912.

Pinheiro R., Martins P. H. (2011). Usuários, redes sociais, mediações e integralidade em saúde. Rio de Janeiro: UERJ/IMS/LAPPIS.

Pinto H. A., Souza A. N. A., Ferla, A A. (2014). O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica: várias faces de uma política inovadora. Saúde em Debate, 38(esp.), 358–372. doi 10.5935/0103-1104.2014S027.

Raider, H., Krackhardt, D. (2001). Intra organizational networks. In: Baum, J. A. C. Companion to organizations. Oxford: Blackwell.

Ramos, M. N. (2017). Processo de Trabalho dos Técnicos em Saúde na perspectiva dos saberes, práticas e competências. Relatório de Pesquisa. Rio de Janeiro: OPAS; Fiocruz, 2017. Recuperado de http://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/files/Processo%20Trabalho%20Tecnicos.pdf.

Recuero, R. (2014). Contribuições da Análise de Redes Sociais para o Estudo das Redes Sociais na Internet: O caso da hashtag #Tamojuntodilma e #CalaabocaDilma. RevistaFronteiras (Online), 16 (1), 1-22. doi10.4013/fem.2014.162.01

Regimento Interno CMS Parque Royal. (2018). Documento da unidade. Regimento interno CMS Parque Royal. Rio de Janeiro, Brasil. Recuperado de http://smsdc-cms-parqueroyal.blogspot.com/2015/01/regimento-interno-parque-royal.html.

Rocha P. R., David H. M. S. L. (2015). Determinação ou Determinantes? Uma discussão com base na Teoria da Produção Social da Saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 49 (1), 129-135. doi 10.1590/S0080-623420150000100017.

Santos T. V. C., Penna C. M. M. (2013). Demandas cotidianas na atenção primária: o olhar de profissionais da saúde e usuários. Texto Contexto Enferm., 22 (1):149-56. doi doi.org/10.1590/S0104-07072013000100018.

Silva T. F., Romano V. F. (2015). Sobre o acolhimento: discurso e prática em Unidades Básicas de Saúde do município do Rio de Janeiro. Saúde em Debate, 39 (105), 363-374. doi 10.1590/0103-110420151050002005.

Silva T. F., David H. M. S. L., Caldas C. P., Martins E. L., Ferreira S. R. (2018). O acolhimento como estratégia de vigilância em saúde para produção do cuidado: uma reflexão epistemológica. Saúde em Debate, 42 (spe4), 249-260. doi10.1590/0103-11042018s420.

Starfield B. (2002). Atenção Primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: Ministério da Saúde. Recuperado de https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/0253.pdf.

Teixeira, R. R. (2007). O acolhimento num serviço de saúde entendido como uma rede de conversações. In: Pinheiro, R., Mattos, R. A. (organizadores). Construção da integralidade: cotidiano, saberes e práticas em saúde. Rio de Janeiro: IMS/UERJ/Abrasco. Recuperado de https://lappis.org.br/site/wp-content/uploads/2017/12/Constru%C3%A7%C3%A3o-da-Integralidade-cotidiano-saberes-e-pr%C3%A1tica-em-sa%C3%BAde.pdf.

Tomaél, M. I., Marteleto, R. M. (2006). Redes sociais: posições dos atores no fluxo da informação. Encontros Bibli: Revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, 11 (esp1), 75-91. doi10.5007/1518-2924.2006v11nesp1p75

Biografía del autor/a

Tarciso Feijó da Silva, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutor em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca.

Helena Maria Scherlowski Leal David, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professora Doutora do Departamento de Enfermagem em Saúde Pública da Escola de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Graduado e documentado em Saúde Coletiva pela Fundação Oswaldo Cruz. 

Publicado

09-01-2021

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.