Jean Lorrain: humor como vetor de tensão do fantástico

Autores/as

  • Fábio Lucas Pierini Universidade Estadual de Maringá

Resumen

Comumente associamos a narrativa fantástica ao medo, ao perigo da morte, à violência, à dor e ao sofrimento, como se eventos sobrenaturais fossem obrigatoriamente de natureza maligna. Por essa mesma razão, a mente humana afasta a possibilidade de uma narrativa fantástica conter elementos de humor, dada a pretensa incompatibilidade entre o riso e o medo. Entretanto, preferimos entender medo e riso como forças antagônicas, mas complementares porque ambas se alimentam reciprocamente: rimos do outro porque ele tem algo a temer que nós não tememos; ou rimos de nós mesmos quando descobrimos que a causa de nosso próprio medo é superada. Dessa forma, podemos entender o riso como forma de evitar a vinculação daquele que ri com uma ameaça, seja de forma preventiva (antes ou durante o evento sobrenatural) ou de forma retrospectiva (passada a situação assustadora). No caso dos contos «Lanterne magique» (1891) e «L’égregore»(1891) de Jean Lorrain (1855-1906), o humor apresenta-se como oposição à realidade sobrenatural oculta sob o véu da realidade ordinária em que vivem os personagens, isto é, apresenta-se como vetor de tensão do fantástico, contrapondo-se cética e ironicamente à leitura ocultista feita por um dos personagens acerca das atitudes e hábitos de frequentadores da alta-roda parisiense da belle époque.

Palabras clave

Jean Lorrain, Narrativa fantástica, Humor

Citas

ATRAN, Scott (2002): In gods we trust, Oxford University Press, New York.

<https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780195178036.001.0001>

BERGSON, Henri (2004): O riso, Martins Fontes, São Paulo.

BERNARD, Jean-Louis (1971): Dictionnaire de l'insolite et du fantastique, Éditions du Dauphin, Paris.

BESSIERE, Irène (1974): Le récit fantastique: la poétique de l'incertain, Larousse, Paris.

BOIS, Jules (1902): «Le mauvais gîte de Jean Lorrain», in Jules Bois (ed.), L'au-delà des forces inconnues, Société des éditions littéraires et artistiques, Paris, pp. 69-74.

BOZZETTO, Roger, e Arnaud HUFTIER (2004) : Les frontières du fantastique. Approches de l'impensable en littérature, Presses Universitaires de Valenciennes, Valenciennes.

DESMEULES, Georges (1997): La littérature fantastique et le spectre de l'humour, Memeinstant, Québec.

EMONT, Nelly (1991): «Thèmes du fantastique et de l'occultisme en France à la fin du XIXe siècle», in Colloque de Cerisy (ed.), La littérature fantastique, Albin Michel, Paris, pp. 137-156.

FABRE, Jean (1992): Le mirroir de sorcière. Essai sur la littérature fantastique José Corti, Paris.

FAIVRE, Antoine (1991): «Génèse d'un genre narratif, le fantastique (essai de périodisation)», in Coloque de Cerisy (ed.), La littérature fantastique. Albin Michel, Paris, pp. 15-43.

FREUD, Sigmund (2010): «O inquietante», in Obras completas. Vol. 14 (1917-1920), Companhia das Letras, São Paulo, pp. 328-376.

_____ (2017): O chiste e sua relação com o inconsciente, Companhia das Letras, São Paulo.

HINES, Terence (2003): Pseudoscience and the paranormal, Prometheus Books, New York.

HUMPHREY, Nicholas (1996): Leaps of faith: science, miracles, and the search for supernatural consolation, Copernicus, New York.

MELLIER, Denis (1999): L'écriture de l'excès. Fiction fantastique et poétique de la terreur, Honoré Champion, Paris.

______ (2001): Textes et fantômes. Fantastique et autoréférence. Kimé, Paris.

PIERINI, Fábio Lucas (2015): « Da lanterna mágica ao fantascópio: por uma sociocrítica da narrativa fantástica », in André de Sena (ed.) Literatura fantástica em Pernambuco e histórias de fantasmas, Editora UFPE, Recife, pp. 329-351.

______ (2017): «Uma abordagem sociocrítica da narrativa fantástica», Revista Abusões no. 5 (UERJ, Rio de Janeiro), pp. 172-206, disponível em http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/abusoes/article/download/29885/22366 [08/05/2018]

<https://doi.org/10.12957/abusoes.2017.29885>

PONNAU, Gwenhaël (1997): La folie dans la littérature fantastique, Presses Universitaires de France, Paris.

SCHNEIDER, Marcel, (1985): Histoire de la littérature fantastique en France, Fayard, Paris.

TODOROV, Tzvetan (2010): Introdução à literatura fantástica, Perspectiva, São Paulo.

VAX, Louis (1965): La séduction de l'étrange, Presses Universitaires de France, Paris.

______ (2002): Les philosophes aux pays des spectres Presses Universitaires de Nancy, Nancy.

Biografía del autor/a

Fábio Lucas Pierini, Universidade Estadual de Maringá

Departamento de Letras Modernas, Área de Língua e Literatura Francesas

Publicado

26-03-2018

Cómo citar

Pierini, F. L. (2018). Jean Lorrain: humor como vetor de tensão do fantástico. rumal. evista e investigación obre o Fantástico, 6(1), 19–39. https://doi.org/10.5565/rev/brumal.460

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.